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segunda-feira, dezembro 22, 2003

This is the End
Caros leitores, colegas, amigos e inimigos, e visitantes por acidente:

É com grande tristeza que me dou conta que não tenho mesmo tempo para manter um blog. Quis durante muito tempo comvencer-me do contrário, mas perante este novo ano, novos acontecimentos acabaram por me trazer à razão. Assim, foi pouco mas bom (pelo menos para mim), e termino por aqui. Tudo tem um fim, e temos de aprender a viver com isso. Desta forma, o blog é uma forma perfeita, começou, manteve-se e terminou como todo o tipo de vida neste planeta.
Ficam os arquivos (não sei bem até quando) para mais tarde recordar. Quem sabe um dia volte a aparecer...
Reecaminho os interessados para uma das publicações de maior interesse do momento na net com a qual colaboro ocasionalmente e que é a Inépcia, em www.inepcia.com.
Até um dia (snif, snif).

Recomeço a viagem pela blogosfera em http://pseudotudo.blogspot.com ...vida nova, blog novo...

Patrícia Araújo

domingo, outubro 19, 2003

Religião taylorista- A necessidade de acreditar
Desde sempre o ser humano mobilizou crenças para algo ou alguém: o amor, o rei, as seitas, o sultão, o senado, o tarot, as bruxas, os deuses, etc.
Somos impelidos a acreditar em tudo: temos de crer que tudo que nos dizem é verdadeiro.
Os gregos e os romanos queriam acreditar nos deuses tão veementemente que criaram um Deus para cada coisa (um Deus competente em determinado assunto!). Eles eram, portanto, um pouco mais "espertos" que nós, talvez, pois numa lógica taylorista, ofereceram uma especialização do trabalho!
Anos depois nós centralizamos tudo num só Deus que, aparentement, consideramos polivalente.
Pelos vistos, Ele delega tarefas aos conhecidos "Santos" (que se multiplicam a cada ano que passa!), e que possuem especialidades distintas. A produção intensiva de santos funciona como os cursos cuperiores de medicina, eles demoram anos a tirar a especialidade, são bons e fazem "milagres" (supostamente) e depois nunca ninguém tem dinheiro suficiente para os satisfazer.
A necessidade do ser humano de acreditar é tanta que acabámos por fazer proeza pior que os nossos amigos politeístas: centralizamos as tarefas num só Deus (o Mestre de tempos e métodos), que prepara o trabalho e o subdivide para cada Santo (trabalhador meramente executante) e, entretanto, nasceram imensas outras Seitas/religiões com outras formas de organização do trabalho, quem sabe mais eficazes (concorrência) que consegue obter muitos mais lucros (o famoso dízimo, duodécimo, ou qualquer coisa do género); isto leva os crentes (pobres consumidores manipuláveis).
a tentar faezr uma análise da crença religiosa que mais nos convém (estudo de mercado, estudo de tendências) tendo em conta o que cada uma tem para oferecer (produto final).
Conclusão, a religião, actualmente, é taylorista.
Perdoem-me os completamente crentes mas já havia avisado, não só que era do contra, como também que era agnóstica, por isso (e continuarei a dizê-lo até que "voz" me doa) não concordem!
Talvez um dia seja possível a existência de um conjunto de príncipios éticos, cívicos, ecologistas, equalitários, morais, não fundamentalistas e não discriminatórios intersubjectivamente partilhados, por livre contade e livre escolha, que parta do bom Senso de cada um, sem termos de nos esconder atrás de uma realidade que tomamos por objectiva e dogmática: A Religião, sistema pré-parado (com novas regras que ninguém sabe de onde provém e cada vez mais discriminatórias), um fast-food pronto a adoptar pelo comum dos mortais que possui uma necessidade extrema de acreditar.


terça-feira, outubro 14, 2003

Escrevo
Para quem gosta de leituras e escritas, deixo uma ideia: www.escrevo.net!

Alexitimia e Hipergrafia - um escrito sério

Recentes comentários e observações feitas ao meu blog levaram-me a concluir que alguns dos meus textos pareciam indiciar que o que eu escrevia era a porta aberta para as inseguranças e fragilidades femininas.
Talvez.
Mas, face a isto, decidi escrever este texto para tentar esclarecer o que significa para mim este blog, quem sou e para que servem estes escritos, arriscando um elevado grau de self-disclosure, que não era o objectivo deste blog, já que permanece, até hoje, relativamente anónimo.
A caminhos dos trinta vou e cursei uma licenciatura na área das ciências sociais e humanas porque queria respostas aos grandes “porquês” do comportamento humano. Concluo que obtive pistas, mas não soluções, obtive formas de racionalizar e verbalizar e não respostas. Toda a minha vida escrevi: contos, histórias, crónicas, sarrabiscos desesperados em guardanapos de papel (como é costume),etc., concorrendo a tudo que era concurso literário e contactando editoras, mas sei que a forte paixão que experienciava por essas temáticas era só isso: paixão.
Subitamente, dou por mim com Hipergrafia - em parte, por causa do blog - ou seja, uma enorme vontade de escrever pormenorizadamente sobre algo (há quem julgue que Dostoyevsky também sofria de hipergrafia, o que não foi, nem é, necessariamente negativo). E acho que foi neste momento que a paixão se transformou num amor que agora, talvez, possa ser vivido plenamente.
A hipótese de alguém comunicar comigo (posts) sobre estas grandes questões do comportamento humano (amor, paixão, casamento, religião e muitos outros temas do meu blog) fascinou-me, não só pela troca de opiniões, mas também pelo relativo anonimato que ajuda a suprimir algumas influências da comunicação face-a-face (postura, paralinguagem, género, estatuto social, etc.).
Por outro lado, temos a Alexitimia. Pela definição científica é uma perturbação psicológica que consiste na “diminuição da capacidade de discernir os diferentes estados emocionais e de descrever verbalmente os seus sentimentos”. Procurei, incessantemente, o contrário pois sinto que nos meus escritos luto, constantemente, por uma verbalização dos sentimentos e pensamentos, talvez até exacerbada.
Desta feita, o blog significa para mim a oportunidade de "passar" opiniões e reflexões (pessoais e também com alguma base científica inevitável) ao contrário de colocar dúvidas e inseguranças. Não quer dizer que não as tenha e não que dizer até que não as esteja a “passar” subliminar e inconscientemente.
O prazer que tiro deste blog é poder reflectir efemérides da vida de uma forma contrária à opinião das massas, isto é, sendo do contra. Porém, o que digo é realmente o que sinto. Não faço muito esforço para Ser do Contra!
Talvez a frase que alguém disse um dia seja despertante: "A maioria das pessoas do mundo andava como que a dormir e os que conseguiam despertar, viviam em constante êxtase com a vida, porque conseguiam verdadeiramente apreciá-la e, finalmente, auto-conhecerem-se".

domingo, outubro 05, 2003

Write Down Comedy?
Aceita-se sugestões para minha auto-catalogação. Não consigo catalogar esta minha forma de escrever. Falo dos meus pensamentos mais íntimos, queixo-me e oponho-me a quase tudo. Ora, esta descrição faz lembrar o actual e famoso Stand Up Comedy, sem palcos. Será que pratico "Write Down Comedy"?. Ajuda precisa-se para que me possa encontrar (e não, a colecção do público não ajudou muito!).

Classe B
Um fim-de-semana de filmes e após reflexão chego à conclusão que hoje em dia se aprecia, em quase todas as artes, o que é desconcertante, complicado e sem nexo.
Grande parte dos personagens protagonistas de filmes actuais sofrem de uma perturbação mental. Damos valor aos filmes que retratam cenas ao contrário (Memento), filmes que relatam o próprio filme (Inadaptation), os planos baralhados (Pulp-fiction), filmes de serios problemas mentais (Fight-Club, voando sobre um ninho de cucos, Analyse This, Analyse That, Don't Talk to strangers, As good as it get's), filmes que baseiam uma sociedade em doentes mentais (são muito para escrever aqui!), etc...tudo que for anormal é bom!
Será que isto reflecte a nossa sociedade actual?
Quando surge uma película com um simples romance chamamos-lhe um "ligeirinho", quando há acção e montes de mortes chamamos-lhe um "popcorn movie"!??! Onde andam os filmes "normais"? O moço que gosta da moça em que há diversos obstáculos ao seu amor...mas no final ficam juntos? Esses são "teenagers movies", vulgo, filmes para os "tótós"! Transformá-mo-nos em pseudo-intelectuais porque não somos capazes de apreciar de tudo...então, o que achámos que os outros vão catalogat como filmes para "tótós", catalogamos (eruditamente!) como filmes classe B.

Êxito
O que dá mais alento à minha vida é pensar que um dia serei reconhecida nem que seja postumamente e, então, deixarei uma marca, um legado qualquer neste planeta. Faço parte daquele (provavelmente) pequeno grupo de pessoas que vive a vida fracassada a pensar no êxito que terá a sua morte.

Newsletter dependente
Reconheci recentemente em auto.terapia que estou viciada em newsletters. "Subscreva já" é a password e quando me apercebo tenho a caixa de email cheia delas! E o pior é que nem me lembro de as assinar! Corro a 300 à hora atrás da informação e só depois caio em mim e concluo que não me serviu de nada senão para perder tempo.

Acessórios femininos
Sou mulher, logo adoro todos os penduricalhos possíveis e imaginários usáveis no corpo humano. Durante os primeiros minutos é uma festa...miro-me ao espelho, qual cleópatra, e tudo parece encaixar na perfeição. Passado uns minutos, normalmente já na rua, tudo me incomoda! Os brincos prendem no cabelo, os sapatos são altos demais, o creme estica-me a cara, a maquilhagem borrata, tou incessantemente a mexer nos anéis e nas pulseiras, esgano-me no próprio fio, as cuecas apertam, o soutien magoa...tudo corre mal! Passado umas horas não tenho acessório nenhum! Arranco tudo e atiro para dentro da carteira. Será que as "verdadeiras ladies" são as que conseguem suportar todo este frete até chegar a casa?

A minha fobia
Descobri finalmente a minha fobia, ou melhor, uma fobia que se subdivide em várias: Grávidas, bebés, linguagem de recem-mãe, fraldas, cheiro a bebé, riso de bebé, choro de bebé, parto, epidural, cesariana, pontos, vaginas pós parto, biberons, bicos de silicone, mamar, mobiles, educação, protecção, peluches...enfim, tudo que tenho um ponto de ligação a um bebé!
o meu "relógio biológico" disparou! Finalmente estou alerta para estes assuntos! Mas o MEU "relógio biológico" diz-me, basicamente, FOGE!
A ideia de ter um outro ser dentro de mim é completamente repugnante! Desculpem-me os mais sensíveis, e sabendo que isto é uma questões de gosto e opinião (logo, "gostos não se discutem!"), perdoem-me.
Sei que se todos concordarem comigo a natalidade não aumenta e, em última instância, a espécie não se ponlonga, por isso, mais uma vez e como sempre, peço que não concordem comigo.
Sei que pensam "És mulher. como podes pensar assim?!", responde que isto é uma síndrome, é um conjunto de sintomas de perturbação mental e hei-de prová-lo qualquer dia! Começo a sentir-me tonta com qualquer factor acima mencionado, fico com sede, mal disposta, apetece-me afastar rapidamente, às vezes até tenho urticaria! E eu acho que tanto os homens como as mulheres podem sofrer disto! É grave! Porém, ao contrário de muitas outras, eu não me quero curar! Esta minha fobia é o meu bebé (errr....)!

segunda-feira, setembro 29, 2003

Meus Caros Contestatários

Achei que, depois de tão fortes e valiosos posts, não poderia limitar-me a responder-vos num post. Desde já obrigado pela vossa intervenção e obrigado por se sentirem tocados pelas minhas provocações!!! Por último, obrigado por se sentirem impelidos a reagir a elas!
Eu também me sinto impelida a fazê-lo, mas sendo estas discussões tão válidas e emocionantes, dissertarei um pouco sobre cada comentário.
Não sou uma pessoa saudosa no sentido em que posso ir para longe muito tempo e não ter saudades de ninguém e de nada porque sei que as coisas e as pessoas estarão no mesmo sítio. Sou saudosa das coisas que não poderei voltar a ter e que, principalmente, nao apreciei com devido respeito já que não possuia evolução mental e espiritual para o fazer. Sou nostálgica, o que considero ser uma saudade especial, e apesar de muitos a chamarem doentia e maléfica, eu acho que ela conribui para que consiga apreciar as coisas de outra forma no presente!

Quanto ao artigo do casar sem sexo, penso que há uma perspectiva que me distingue - não gosto da visão de professores e alunos! Há uma nova perspctiva, muito utilizada em formação profissional e educação de adultos, que é a ANDRAGOGIA. Esta, ao contrário da pedagogia, defende que não há professores e alunos, mas facilitadores da aprendizagem e apreendentes! Ora, não gosto de pensar que alguém me ensinou a fazer amor/sexo! Gosto de pensar em aprender em conjunto. Porém, eu própria acho interessante a ideia de ensinar a alguém a fazer amor, mas evito cair nessa tentação! Sim, porque as mulheres também gostam dessa ideia! Quanto à ideia de casar sem sexo, também não compreendo a perspectiva de um homem que queira uma mulher virgem! Irão ter muitos problemas a convencê-la a fazer seja o que for ou então recorrem a profissionais experientes (mulheres de má vida que não é assim tão má!), o que, apesar de não condenar porque não tenho direito de o fazer, acho que é já uma ideia ultrapassada.

Enfim, quanto ao amor, à paixão e ao chocolate...confesso que nunca pensei que trouxessem tanta polémica!
Em primeiro lugar, as paixões são desgastantes - diversos estudos da psicofisiologia e da medicina provam-no!Não quer dizer que não adoptemos esse estilo de vida que é tão válido como outro qualquer e que eu aprecio imenso! Mas, contar-vos-ei um segredo, sem parecer demasiado radical: sou do signo virgem! E apesar de isso não reger a minha vida, já li alguns factos sobre as qualidades desse signo e parece estar nos astros que estes nativos não se adaptam muito bem à vivência constante de paixões!

Por último, a questão poderá existir amor sem ter havido paixão? Mais uma vez revelo-vos um segredo - Francisco Alberoni! É um dos sociólgos mais falados do nosso tempo e tem um livro que resume as suas perspectivas que se chama "Amo-te". Apesar das perspectivas que aqui registo serem minhas e só minhas, devo estar influenciado por ele. O amor existe sem paixão: amor pela mãe, pelo pai e pelos filhos; uma espécie de amor existe sem paixão pelos grandes amigos: a amizade. Quanto ao amor entre dois seres humanos (hetero ou homo) este parte sempre de um estado de enamoramento (conceito de Alberoni) e pode ou não passar pela paixão tórrida que vemos nos filmes. No meu caso concrecto, o amor que senti por algumas pessoas nunca passou pela paixão tórrida, talvez por eu ser o tipo de pessoa que se apaixona pelo que os outros são a todos os níveis, sendo o aspecto físico uma percentagem disso. Já tive completamente apaixonada ao ponto de nada mais interessar na minha cabeça, mas isso perturbava tanto o resto da minha vida que acabei por me afastar dessas pessoas que despoletavam em mim desejos animalescos!

Bem...mais uma vez obrigado. As vossas palavras fizeram-me sentir muito compreendida ou contestada o que é igualmente importante para mim! Ao Amadeu um especial obrigado pela descrição tão perspicaz e rica de mim - tiraste-me a radiografia!
Até breve caríssimos!

sábado, setembro 20, 2003

Amor e Chocolate
Os seres humanos, em geral, têm uma esperança média de vida de 70/75 anos. As mulheres, em particular, vivem em média cerca de 80 anos. A maioria de nós, seres humanos, passa cerca de 20 a 25 anos na casa dos pais. Passamos 5 ou 10 anos a namorar, e depois, se tudo correr bem (depende da perspectiva), passamos 50 anos casados. Algo não bate certo. Grande parte de nós não vive sozinho muito tempo. Quando se entra num relacionamento amoroso (relativamente sério), a hipótese de se apaixonar de novo e largar tudo para viver essa paixao deixa de ter muito peso, porque entretanto valores mais altos se levantam: o trabalho, a casa, a famí­lia, o que os outros dirão, o socialmente correcto.
Dou por mim presa num pensamento: tenho 25 anos e provavelmente não sentirei mais a sensação de paixão ou melhor ainda a emoção da paixão. Sentirei muitas outras coisas fantásticas mas não paixão. Sentir a cena em volta desaparecer, o cérebro a desligar, achar que podemos fazer tudo e, em última instância, fazer realmente tudo o que nos dá na real gana.
Julgo ter sido Oscar Wilde que disse uma dia que as pessoas deviam estar sempre apaixonadas, por isso, não deveriam casar. Alexandre Dumas, por seu turno, dizia que o amor arde ou dura: nunca ambos. Será esta a grande decisão das nossas vidas: entre um amor que dure mas que não poderá conter paixão (até porque a paixão é patológica e por isso tem de acabar rapidamente ou evoluir) e um amor que arde, ou seja, diversas paixões consecutivas, nas quais o desgaste emocional será gigantesco mas o prazer ser-lo-á igualmente?
Como saber comer chocolate: há quem não resista e o devore, retirando disso prazer imediato (arde), e há quem o guarde bem guardado e vá dando pequenas trincas para amaciar a boca (dura) - infelizmente, há também quem, como eu, se esquece dele num sítio qualquer e, ao reencontrá-lo num cantinho, bem guardado, deparasse com chocolate podre.

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