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segunda-feira, setembro 29, 2003

Meus Caros Contestatários

Achei que, depois de tão fortes e valiosos posts, não poderia limitar-me a responder-vos num post. Desde já obrigado pela vossa intervenção e obrigado por se sentirem tocados pelas minhas provocações!!! Por último, obrigado por se sentirem impelidos a reagir a elas!
Eu também me sinto impelida a fazê-lo, mas sendo estas discussões tão válidas e emocionantes, dissertarei um pouco sobre cada comentário.
Não sou uma pessoa saudosa no sentido em que posso ir para longe muito tempo e não ter saudades de ninguém e de nada porque sei que as coisas e as pessoas estarão no mesmo sítio. Sou saudosa das coisas que não poderei voltar a ter e que, principalmente, nao apreciei com devido respeito já que não possuia evolução mental e espiritual para o fazer. Sou nostálgica, o que considero ser uma saudade especial, e apesar de muitos a chamarem doentia e maléfica, eu acho que ela conribui para que consiga apreciar as coisas de outra forma no presente!

Quanto ao artigo do casar sem sexo, penso que há uma perspectiva que me distingue - não gosto da visão de professores e alunos! Há uma nova perspctiva, muito utilizada em formação profissional e educação de adultos, que é a ANDRAGOGIA. Esta, ao contrário da pedagogia, defende que não há professores e alunos, mas facilitadores da aprendizagem e apreendentes! Ora, não gosto de pensar que alguém me ensinou a fazer amor/sexo! Gosto de pensar em aprender em conjunto. Porém, eu própria acho interessante a ideia de ensinar a alguém a fazer amor, mas evito cair nessa tentação! Sim, porque as mulheres também gostam dessa ideia! Quanto à ideia de casar sem sexo, também não compreendo a perspectiva de um homem que queira uma mulher virgem! Irão ter muitos problemas a convencê-la a fazer seja o que for ou então recorrem a profissionais experientes (mulheres de má vida que não é assim tão má!), o que, apesar de não condenar porque não tenho direito de o fazer, acho que é já uma ideia ultrapassada.

Enfim, quanto ao amor, à paixão e ao chocolate...confesso que nunca pensei que trouxessem tanta polémica!
Em primeiro lugar, as paixões são desgastantes - diversos estudos da psicofisiologia e da medicina provam-no!Não quer dizer que não adoptemos esse estilo de vida que é tão válido como outro qualquer e que eu aprecio imenso! Mas, contar-vos-ei um segredo, sem parecer demasiado radical: sou do signo virgem! E apesar de isso não reger a minha vida, já li alguns factos sobre as qualidades desse signo e parece estar nos astros que estes nativos não se adaptam muito bem à vivência constante de paixões!

Por último, a questão poderá existir amor sem ter havido paixão? Mais uma vez revelo-vos um segredo - Francisco Alberoni! É um dos sociólgos mais falados do nosso tempo e tem um livro que resume as suas perspectivas que se chama "Amo-te". Apesar das perspectivas que aqui registo serem minhas e só minhas, devo estar influenciado por ele. O amor existe sem paixão: amor pela mãe, pelo pai e pelos filhos; uma espécie de amor existe sem paixão pelos grandes amigos: a amizade. Quanto ao amor entre dois seres humanos (hetero ou homo) este parte sempre de um estado de enamoramento (conceito de Alberoni) e pode ou não passar pela paixão tórrida que vemos nos filmes. No meu caso concrecto, o amor que senti por algumas pessoas nunca passou pela paixão tórrida, talvez por eu ser o tipo de pessoa que se apaixona pelo que os outros são a todos os níveis, sendo o aspecto físico uma percentagem disso. Já tive completamente apaixonada ao ponto de nada mais interessar na minha cabeça, mas isso perturbava tanto o resto da minha vida que acabei por me afastar dessas pessoas que despoletavam em mim desejos animalescos!

Bem...mais uma vez obrigado. As vossas palavras fizeram-me sentir muito compreendida ou contestada o que é igualmente importante para mim! Ao Amadeu um especial obrigado pela descrição tão perspicaz e rica de mim - tiraste-me a radiografia!
Até breve caríssimos!

sábado, setembro 20, 2003

Amor e Chocolate
Os seres humanos, em geral, têm uma esperança média de vida de 70/75 anos. As mulheres, em particular, vivem em média cerca de 80 anos. A maioria de nós, seres humanos, passa cerca de 20 a 25 anos na casa dos pais. Passamos 5 ou 10 anos a namorar, e depois, se tudo correr bem (depende da perspectiva), passamos 50 anos casados. Algo não bate certo. Grande parte de nós não vive sozinho muito tempo. Quando se entra num relacionamento amoroso (relativamente sério), a hipótese de se apaixonar de novo e largar tudo para viver essa paixao deixa de ter muito peso, porque entretanto valores mais altos se levantam: o trabalho, a casa, a famí­lia, o que os outros dirão, o socialmente correcto.
Dou por mim presa num pensamento: tenho 25 anos e provavelmente não sentirei mais a sensação de paixão ou melhor ainda a emoção da paixão. Sentirei muitas outras coisas fantásticas mas não paixão. Sentir a cena em volta desaparecer, o cérebro a desligar, achar que podemos fazer tudo e, em última instância, fazer realmente tudo o que nos dá na real gana.
Julgo ter sido Oscar Wilde que disse uma dia que as pessoas deviam estar sempre apaixonadas, por isso, não deveriam casar. Alexandre Dumas, por seu turno, dizia que o amor arde ou dura: nunca ambos. Será esta a grande decisão das nossas vidas: entre um amor que dure mas que não poderá conter paixão (até porque a paixão é patológica e por isso tem de acabar rapidamente ou evoluir) e um amor que arde, ou seja, diversas paixões consecutivas, nas quais o desgaste emocional será gigantesco mas o prazer ser-lo-á igualmente?
Como saber comer chocolate: há quem não resista e o devore, retirando disso prazer imediato (arde), e há quem o guarde bem guardado e vá dando pequenas trincas para amaciar a boca (dura) - infelizmente, há também quem, como eu, se esquece dele num sítio qualquer e, ao reencontrá-lo num cantinho, bem guardado, deparasse com chocolate podre.

O café a que vou
Um café a que vou é calmo e tem cadeiras verdes. Todos os empregados, e também o dono, são mal encarados. Aquilo é, no fundo, um salão de chá, deve ser por isso que todos são meios chalados. O nome do café é o nome de um dos 5 continentes. Os empregados aproximam-se da minha mesa e não perguntam nada: simplesmente levantam as sobrancelhas e acenam levemente com a cabeça, esperando que eu diga algo, “boa noite”, ele volta a acenar com a cabeça, “queria um café cheio, por favor”, sorri, acena de novo e some-se a fazer equilíbrio com a bandeja.
As caras deles são apáticas. Olham-me enquanto pego num livro e fico a ler duas horas seguidas, observando ocasionalmente as pessoas em volta, quem está, quem sai, quem entra, “queria um santal de maça, natural, sem copo, fechado e traga-me uma palhinha”. Furo então o orifício do santal com as unhas e continuo a leitura no centro de formação para a apatia.

Má vida?
É costume chamar ás prostitutas (ou prostitutos) pessoas de profissão duvidosa ou da má vida. Por uma lado, não acho que haja assim tantas dúvidas e por outro, sei de muitas que não levam uma vida assim tão má.

sexta-feira, setembro 12, 2003

Prefácio Sarcástico de um livro
Confesso que realmente sempre sonhei com escrever um livro. Não vou fingir falsas surpresas, sempre quis mesmo escrever um livro, e mais, fiz de tudo para que isso pudesse acontecer.
Não fiquei sentada à espera. Enviei cópias, pedi opiniões, escrevi para dezenas de editoras, e este prefácio é dedicado a elas. A todas as editoras que me disseram que não ao longo de todos estes anos, o meu obrigado. Era graças ao vosso não que abria as vossas cartas do correio com uma fúria desesperada, como de fome se tratasse e, logo de seguida, eram as vossas cartas que provocavam em mim a mais profunda das tristezas. Da tristeza nasce a força e dessa força a sensação de desafio. E era essa sensação de desafio que me motivava a escrever ainda mais, a ler ainda mais, a mudar, a redefinir, a questionar toda a minha pessoa, a minha existência e a minha forma de passar a informação que eu queria ao mundo.
E podia ter publicado um livro por edição de autor, mas não. Isso seria sempre pouco. Neste campo, com as próprias mãos faz-se apenas a obra e outros especialistas fazem o resto. Não era especialista noutra área senão a de escrever.
Por isso, este livro é dedicado a todas as editoras que me ofereceram nãos. E mais, é dedicado a todos os júris de concursos a que concorri e que não me consideraram suficientemente boa para merecer algum reconhecimento. Este livro também é para vocês porque a competição, dita saudável, instalava em mim um desejo cada vez maior de não parar.
Por último, é dedicado a todos aqueles que, em algum momento da minha vida, afirmaram não me compreendiam. A todos aqueles que afirmaram que eu pensava demais, cismava demais, procurava demais...o meu obrigado, porque me deram mais motivos para eu pensar o porquê das pessoas pensarem que eu pensava demais.
Acho que as pessoas pensam pouco sobre a vida, as coisas e sobre elas próprias e esta obra é para as pessoas que pensam pouco, que acham que pensam alguma coisa e para as que ainda não pensaram nisso. Para as que estão certas de que pensam muito, digo-lhes que repensem essa afirmação, porque as certezas absolutas não são característica dos bons pensadores, por isso, este livro também é para elas.
O meu profundo obrigado à editora que finalmente me editou e a partir daqui espero também ouvir dela muitos sins, mas também muitos nãos.”


Casar sem Sexo?

Casar sem que haja intimidadas sexuais é algo muito difícil de se instalar na minha mente. Simplesmente, não compreendo. Talvez me falte alguma cultura histórica, mas no meu entender, se isso acontecia há alguns séculos atrás era devido à extravagância masculina que consistia em gabarem-se que aquela mulher era só deles. Mas também não se queixavam do seu desempenho na cama, porque não podiam...elas nem deviam saber nada de nada, e eles não seriam bons professores, portanto, para outras artes recorriam às cortesãs. Actualmente já se queixam do desempenho sexual feminino. Mas por estranho que pareça ainda há homens e mulheres a pensarem casar virgens, ou pelo menos mulheres a pensarem casar virgens e homens (não-virgens) a quererem casar com mulheres virgens.
O que leva alguém a dar um passo deste tipo, seja por contracto legal ou religião, sem conhecer o corpo do outro? Irá casar só com as partes visíveis? Os braços, a cabeça e os Pés? Ou será que até já viu mais, mas não tocou? E se entretanto o pénis dele e a vagina dela não se dão? Deduzo que a resposta desses defensores seria “o amor ultrapassa tudo e lentamente aprenderemos a estar juntos até à perfeição..” Bla, bla, bla, enquanto isso vão dando umas por fora! Como é possível casar com alguém a quem não se conhece os vícios, as manhas, os sinais, as verrugas, o suor, o cheiro do sexo, etc., etc.? Casar com um estranho? Quem se lembrou de tamanha estupidez?

Acreditar
Acreditar é bom. Acreditar em várias religiões, na vida além da morte, nos fenómenos paranormais, nos x-files, enfim, em tudo que parece difícil de acreditar.
Apesar de provir de uma formação científica acredito em quase tudo: no Tarot, nas Runas, nos astros, na quiromancia, etc. Acho que é muito mais confortável acreditar em tudo do que não acreditar em nada.
Além disso, se existir algo além desta existência na qual vivemos, quando chegarmos “lá”, de alguma coisa deve valer ter acreditado, nem que parcialmente, naquilo que é o “lá”. Se não existir nenhum “lá” não vai haver lá ninguém a dizer “bad girl, acreditaste naquilo tudo”, não é ?

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