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domingo, outubro 19, 2003

Religião taylorista- A necessidade de acreditar
Desde sempre o ser humano mobilizou crenças para algo ou alguém: o amor, o rei, as seitas, o sultão, o senado, o tarot, as bruxas, os deuses, etc.
Somos impelidos a acreditar em tudo: temos de crer que tudo que nos dizem é verdadeiro.
Os gregos e os romanos queriam acreditar nos deuses tão veementemente que criaram um Deus para cada coisa (um Deus competente em determinado assunto!). Eles eram, portanto, um pouco mais "espertos" que nós, talvez, pois numa lógica taylorista, ofereceram uma especialização do trabalho!
Anos depois nós centralizamos tudo num só Deus que, aparentement, consideramos polivalente.
Pelos vistos, Ele delega tarefas aos conhecidos "Santos" (que se multiplicam a cada ano que passa!), e que possuem especialidades distintas. A produção intensiva de santos funciona como os cursos cuperiores de medicina, eles demoram anos a tirar a especialidade, são bons e fazem "milagres" (supostamente) e depois nunca ninguém tem dinheiro suficiente para os satisfazer.
A necessidade do ser humano de acreditar é tanta que acabámos por fazer proeza pior que os nossos amigos politeístas: centralizamos as tarefas num só Deus (o Mestre de tempos e métodos), que prepara o trabalho e o subdivide para cada Santo (trabalhador meramente executante) e, entretanto, nasceram imensas outras Seitas/religiões com outras formas de organização do trabalho, quem sabe mais eficazes (concorrência) que consegue obter muitos mais lucros (o famoso dízimo, duodécimo, ou qualquer coisa do género); isto leva os crentes (pobres consumidores manipuláveis).
a tentar faezr uma análise da crença religiosa que mais nos convém (estudo de mercado, estudo de tendências) tendo em conta o que cada uma tem para oferecer (produto final).
Conclusão, a religião, actualmente, é taylorista.
Perdoem-me os completamente crentes mas já havia avisado, não só que era do contra, como também que era agnóstica, por isso (e continuarei a dizê-lo até que "voz" me doa) não concordem!
Talvez um dia seja possível a existência de um conjunto de príncipios éticos, cívicos, ecologistas, equalitários, morais, não fundamentalistas e não discriminatórios intersubjectivamente partilhados, por livre contade e livre escolha, que parta do bom Senso de cada um, sem termos de nos esconder atrás de uma realidade que tomamos por objectiva e dogmática: A Religião, sistema pré-parado (com novas regras que ninguém sabe de onde provém e cada vez mais discriminatórias), um fast-food pronto a adoptar pelo comum dos mortais que possui uma necessidade extrema de acreditar.


terça-feira, outubro 14, 2003

Escrevo
Para quem gosta de leituras e escritas, deixo uma ideia: www.escrevo.net!

Alexitimia e Hipergrafia - um escrito sério

Recentes comentários e observações feitas ao meu blog levaram-me a concluir que alguns dos meus textos pareciam indiciar que o que eu escrevia era a porta aberta para as inseguranças e fragilidades femininas.
Talvez.
Mas, face a isto, decidi escrever este texto para tentar esclarecer o que significa para mim este blog, quem sou e para que servem estes escritos, arriscando um elevado grau de self-disclosure, que não era o objectivo deste blog, já que permanece, até hoje, relativamente anónimo.
A caminhos dos trinta vou e cursei uma licenciatura na área das ciências sociais e humanas porque queria respostas aos grandes “porquês” do comportamento humano. Concluo que obtive pistas, mas não soluções, obtive formas de racionalizar e verbalizar e não respostas. Toda a minha vida escrevi: contos, histórias, crónicas, sarrabiscos desesperados em guardanapos de papel (como é costume),etc., concorrendo a tudo que era concurso literário e contactando editoras, mas sei que a forte paixão que experienciava por essas temáticas era só isso: paixão.
Subitamente, dou por mim com Hipergrafia - em parte, por causa do blog - ou seja, uma enorme vontade de escrever pormenorizadamente sobre algo (há quem julgue que Dostoyevsky também sofria de hipergrafia, o que não foi, nem é, necessariamente negativo). E acho que foi neste momento que a paixão se transformou num amor que agora, talvez, possa ser vivido plenamente.
A hipótese de alguém comunicar comigo (posts) sobre estas grandes questões do comportamento humano (amor, paixão, casamento, religião e muitos outros temas do meu blog) fascinou-me, não só pela troca de opiniões, mas também pelo relativo anonimato que ajuda a suprimir algumas influências da comunicação face-a-face (postura, paralinguagem, género, estatuto social, etc.).
Por outro lado, temos a Alexitimia. Pela definição científica é uma perturbação psicológica que consiste na “diminuição da capacidade de discernir os diferentes estados emocionais e de descrever verbalmente os seus sentimentos”. Procurei, incessantemente, o contrário pois sinto que nos meus escritos luto, constantemente, por uma verbalização dos sentimentos e pensamentos, talvez até exacerbada.
Desta feita, o blog significa para mim a oportunidade de "passar" opiniões e reflexões (pessoais e também com alguma base científica inevitável) ao contrário de colocar dúvidas e inseguranças. Não quer dizer que não as tenha e não que dizer até que não as esteja a “passar” subliminar e inconscientemente.
O prazer que tiro deste blog é poder reflectir efemérides da vida de uma forma contrária à opinião das massas, isto é, sendo do contra. Porém, o que digo é realmente o que sinto. Não faço muito esforço para Ser do Contra!
Talvez a frase que alguém disse um dia seja despertante: "A maioria das pessoas do mundo andava como que a dormir e os que conseguiam despertar, viviam em constante êxtase com a vida, porque conseguiam verdadeiramente apreciá-la e, finalmente, auto-conhecerem-se".

domingo, outubro 05, 2003

Write Down Comedy?
Aceita-se sugestões para minha auto-catalogação. Não consigo catalogar esta minha forma de escrever. Falo dos meus pensamentos mais íntimos, queixo-me e oponho-me a quase tudo. Ora, esta descrição faz lembrar o actual e famoso Stand Up Comedy, sem palcos. Será que pratico "Write Down Comedy"?. Ajuda precisa-se para que me possa encontrar (e não, a colecção do público não ajudou muito!).

Classe B
Um fim-de-semana de filmes e após reflexão chego à conclusão que hoje em dia se aprecia, em quase todas as artes, o que é desconcertante, complicado e sem nexo.
Grande parte dos personagens protagonistas de filmes actuais sofrem de uma perturbação mental. Damos valor aos filmes que retratam cenas ao contrário (Memento), filmes que relatam o próprio filme (Inadaptation), os planos baralhados (Pulp-fiction), filmes de serios problemas mentais (Fight-Club, voando sobre um ninho de cucos, Analyse This, Analyse That, Don't Talk to strangers, As good as it get's), filmes que baseiam uma sociedade em doentes mentais (são muito para escrever aqui!), etc...tudo que for anormal é bom!
Será que isto reflecte a nossa sociedade actual?
Quando surge uma película com um simples romance chamamos-lhe um "ligeirinho", quando há acção e montes de mortes chamamos-lhe um "popcorn movie"!??! Onde andam os filmes "normais"? O moço que gosta da moça em que há diversos obstáculos ao seu amor...mas no final ficam juntos? Esses são "teenagers movies", vulgo, filmes para os "tótós"! Transformá-mo-nos em pseudo-intelectuais porque não somos capazes de apreciar de tudo...então, o que achámos que os outros vão catalogat como filmes para "tótós", catalogamos (eruditamente!) como filmes classe B.

Êxito
O que dá mais alento à minha vida é pensar que um dia serei reconhecida nem que seja postumamente e, então, deixarei uma marca, um legado qualquer neste planeta. Faço parte daquele (provavelmente) pequeno grupo de pessoas que vive a vida fracassada a pensar no êxito que terá a sua morte.

Newsletter dependente
Reconheci recentemente em auto.terapia que estou viciada em newsletters. "Subscreva já" é a password e quando me apercebo tenho a caixa de email cheia delas! E o pior é que nem me lembro de as assinar! Corro a 300 à hora atrás da informação e só depois caio em mim e concluo que não me serviu de nada senão para perder tempo.

Acessórios femininos
Sou mulher, logo adoro todos os penduricalhos possíveis e imaginários usáveis no corpo humano. Durante os primeiros minutos é uma festa...miro-me ao espelho, qual cleópatra, e tudo parece encaixar na perfeição. Passado uns minutos, normalmente já na rua, tudo me incomoda! Os brincos prendem no cabelo, os sapatos são altos demais, o creme estica-me a cara, a maquilhagem borrata, tou incessantemente a mexer nos anéis e nas pulseiras, esgano-me no próprio fio, as cuecas apertam, o soutien magoa...tudo corre mal! Passado umas horas não tenho acessório nenhum! Arranco tudo e atiro para dentro da carteira. Será que as "verdadeiras ladies" são as que conseguem suportar todo este frete até chegar a casa?

A minha fobia
Descobri finalmente a minha fobia, ou melhor, uma fobia que se subdivide em várias: Grávidas, bebés, linguagem de recem-mãe, fraldas, cheiro a bebé, riso de bebé, choro de bebé, parto, epidural, cesariana, pontos, vaginas pós parto, biberons, bicos de silicone, mamar, mobiles, educação, protecção, peluches...enfim, tudo que tenho um ponto de ligação a um bebé!
o meu "relógio biológico" disparou! Finalmente estou alerta para estes assuntos! Mas o MEU "relógio biológico" diz-me, basicamente, FOGE!
A ideia de ter um outro ser dentro de mim é completamente repugnante! Desculpem-me os mais sensíveis, e sabendo que isto é uma questões de gosto e opinião (logo, "gostos não se discutem!"), perdoem-me.
Sei que se todos concordarem comigo a natalidade não aumenta e, em última instância, a espécie não se ponlonga, por isso, mais uma vez e como sempre, peço que não concordem comigo.
Sei que pensam "És mulher. como podes pensar assim?!", responde que isto é uma síndrome, é um conjunto de sintomas de perturbação mental e hei-de prová-lo qualquer dia! Começo a sentir-me tonta com qualquer factor acima mencionado, fico com sede, mal disposta, apetece-me afastar rapidamente, às vezes até tenho urticaria! E eu acho que tanto os homens como as mulheres podem sofrer disto! É grave! Porém, ao contrário de muitas outras, eu não me quero curar! Esta minha fobia é o meu bebé (errr....)!

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